22 de Setembro de 2018 | Quinzenário Regional | Diário Online
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PAULO JÚLIO

Valorizar marcas, um caminho longo em Portugal

6 de Abril 2018

A Itália é o país que Portugal deveria ter modelado há alguns anos, no que concerne a base industrial, indústria agro-alimentar, design aplicado a indústria do calçado e têxtil, e valorização do património. Fomos tarde, seguramente cerca de 20 anos mais tarde, mas na última década, percebemos melhor como valorizar a diferença e os nossos recursos mais importantes.

Podemos não ter escala para grandes aventuras globais, mas poderemos apostar em produtos de valor acrescentado e ter uma estratégia de desenvolvimento económico de médio prazo que nos coloque num patamar de reconhecimento de produtos e serviços de qualidade.

Numa pequena incursão no Norte de Itália, vêm duas ideias para a valorização de Coimbra que não tem a força de atracção de Lisboa ou do Porto, mas pode almejar estrategicamente a ficar no pódio das cidades mais visitadas em viagens de curta duração.

A primeira ideia é a projecção da história de Pedro e Inês que compara bem com a Verona de Julieta e Romeu tornada conhecida pela peça de Shakespeare. O lobby para transformar este pedaço da história de Portugal que envolve Pedro e Inês, arrisco, deveria ter a ousadia de ser marca internacional. Mas, para ser internacional, a valorização da marca e a divulgação da história deveria ser agarrada estrategicamente pelas entidades locais e regionais, com a criatividade e com a ambição de quem a pode projectar globalmente. Em Verona, a cidade e as praças vivem do Turismo de milhares de pessoas que querem respirar aquela atmosfera que na época renascentista ocupou dois jovens de duas famílias inimigas. Em Coimbra, a evolução do número de turistas tem sido notável, à semelhança da maioria as cidades portuguesas, mas Coimbra tem a possibilidade de fortalecer várias marcas simultaneamente, seja a história de amor de Pedro e Inês, a Universidade portuguesa mais antiga, e o panteão onde jaz o Rei de Portugal que definiu o início da nação, já que é em Santa Cruz que ficou Dom Afonso Henriques.

Como é que estas marcas são percepcionadas pelos locais? Como é que se devem divulgar? Não sei se há alguém a trabalhar estrategicamente estes factores de desenvolvimento, com ambição e visão, mas seria importante para a Região.

A outra ideia, modelando o que se passa nas cidades históricas de Itália, é o regresso dos eléctricos e dos tróleis. Modernizados, talvez, mas que haja uma estratégia e objectivos à volta deste pequeno desígnio, independentemente dos outros meios de transporte urbanos, em zonas da cidade mais típicas.

Para terminar e olhando para o encanto e oportunidades de aproveitamento cultural que constituem, os vestígios arqueológicos de um anfiteatro Romano, o projecto de colocar a descoberto o anfiteatro da antiga cidade de Conímbriga, seria chave para a valorização do património da região. Haveria mais para partilhar, mas a valorização das marcas continua a ser um domínio onde nós, em Portugal, ainda temos de fazer bom caminho.


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