21 de Junho de 2018 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Paulo Júlio

Adeus, Dr. Arnaut!

1 de Junho 2018

Há felizmente muitas pessoas especiais, apesar de todas as circunstâncias. Não vou entrar em lugares comuns ou elaborar sobre o conceito que o Dr. António Arnaut tinha sobre o Sistema de Saúde em Portugal. Ele era uma daquelas pessoas que inspirava pelo modo como pensava a Política. Éramos, apesar dos 34 anos que nos separavam, amigos. Em termos partidários, nunca estivemos de acordo, mas identificávamo-nos sobre o modo de estar na Política. Ele era sempre fiel ao seu Partido Socialista que ajudou a fundar. Localmente, em Penela, concelho que nos ligava, apoiou sempre os seus camaradas e não se inibia de os defender, independentemente de quem estava do outro lado. O Socialismo, tal como ele pensava, era a sua alma. Era a semente de uma sociedade melhor, igual e solidária. Sempre. Eu admirava-o, mesmo nessas circunstâncias. Nas outras, nem falar. Ele era uma das minhas fontes de inspiração e modelo sobre o serviço de quem queria estar na Política. Enquanto Presidente de Câmara tive a honra de apresentar um dos seus romances. O Rio de Sombras (leiam-no, por favor!) é o retrato de um Portugal desigual que Ele, António Arnaut, queria transformar radicalmente. Foi Ministro pouco tempo. Poderia ter sido tudo, mas ou não quis, por vezes, ou, outras vezes, não se “lembraram” dele, talvez, por medo. Porque ele pensava e cortava a direito. Por causa dos valores e dos seus princípios que jamais abdicou. Desiludiu-se algumas vezes, como ele confidenciava. Brilhou e entusiasmou-se outras tantas. Num dos dias mais tristes da minha vida em que fui julgado por um acto que anos mais tarde, afinal, o Tribunal Administrativo Central concluiu como legal, quis vestir a Toga e sentou-se ao lado do seu filho, António Manuel, muitos anos depois de ter largado os Tribunais. Aquele acto simbólico define um Homem e tudo o que ele acredita. E quando acreditava, impunha-se pela sua intelectualidade e força de espírito. Que grande Cidadão Português nos deixou. Mas, como ele dizia “escrevo para não morrer”. Por isso, leiam o Romance dele, Rio de Sombras, e percebam o que modelou o Dr. António Arnaut, como Homem e como Político. Percebam porque é que ele defendia daquela forma o SNS e uma sociedade mais solidária onde o mérito deveria ser o verdadeiro elevador social. Leiam-no para Ele não morrer!…


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