22 de Setembro de 2018 | Quinzenário Regional | Diário Online
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Paulo Júlio

Acordos de Regime? E a Natalidade?

2 de Março 2018

O grande problema da Europa é, segundo apontam alguns estudos, a perda populacional nos próximos 30 anos. Prevê-se uma perda de 50 milhões de pessoas, adicionado a uma situação em que o número de pessoas activas será inferior ao número de crianças e idosos. Obviamente que este é um problema estrutural que atinge de forma superlativa Portugal, um dos que países com menor taxa de natalidade do mundo. Na análise deste problema, obviamente que se impõe uma outra questão que se relaciona com a necessidade de emigrantes. Pessoas de outros países em idade activa. Sem esses recursos humanos, a Europa caminha para o desaparecimento. Demográfico e económico. Sem hipocrisias, os países preferem ter emigrantes cuja cultura e educação seja semelhante. Portanto, os países do Sul vão sofrer ainda mais com este problema, uma vez que a Alemanha ou a Holanda vão atrair pessoas dos seus congéneres localizados a Sul, onde os salários são mais baixos e a cultura mais similar. No referido estudo dramatizava-se mesmo que o Sul basicamente ficaria com as grandes cidades isoladas e circundadas por espaços despovoados.
Ouvimos falar de acordos de regime, de problemas locais, muito locais, mas o tema da natalidade não entra na agenda, sendo que será fatal para todos os agentes sociais e económicos. A Europa tem obviamente um papel político essencial, mas cada um dos Estados deverá analisar a sua própria situação. Com uma das taxas de natalidade mais baixas do mundo, discutimos se os animais devem entrar nos restaurantes e observamos que não há um laivo de início de discussão de uma estratégia de regime que vise, ainda, corrigir a trajectória. A previsão é para trinta anos, o que significa que já não se resolverá nenhum problema. Precisamos de corrigir este estado de coisas, a Europa precisa de emigrantes e de reflectir como os acolher, de forma a evitar os mesmos erros do passado. Todos estes movimentos gerarão reacções nacionalistas, o que só reforça que este é um tema estrutural e que necessita de preparação e estratégia. Como estamos num momento em que se fala de acordos de regime, não desprezando a importância dos fundos europeus ou mesmo da descentralização, talvez fizesse sentido, o País pôr-se ao caminho e enfrentar a dura realidade.


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